Doenças sexualmente transmissíveis - AIDS

 

A crescente preocupação com a AIDS fez crescer também os cuidados com outras doenças sexualmente transmissíveis. Sífilis, gonorréia e doenças menos graves podem ser facilmente curadas com tratamento médico.

A organização Mundial da Saúde considera as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) como males comuns, que ocorrem no mundo todo. Ao mesmo tempo em que os casos de doenças venéreas aumentam, também cresce o registro de outras infecções transmissíveis sexualmente. Já se constata uma modificação na freqüência com que as doenças são diagnosticadas em homens e mulheres.

Enquanto a DST mais comum nos homens é a uretrite não-especificada (UNE), nas mulheres é a candidíase ou afta. Outras DSTs, como as verrugas genitais ou condilomas, as infecções por clamídias (Chlamydia trachomatis), o herpes genital e a gonorréia, são mais comuns do que a sífilis.

Diagnóstico e tratamento imediatos podem ajudar a prevenir a transmissão dessas doenças. Por isso, é aconselhável procurar um médico sempre que se perceber qualquer anormalidade, mesmo que o contágio de uma DST seja improvável.

Existem as clínicas de DST ou clínicas de tratamento gênito-urinário, especializadas nesse tipo de doença, mas qualquer ginecologista, urologista ou clínico geral pode diagnosticar e pedir testes que comprovem a existência de uma DST.

Há tratamentos eficientes para a maior parte das infecções sexuais e, caso se trate de um mal sem cura, existem remédios capazes de diminuir o desconforto.

Doença do homem : A infecção mais comum nos homens é a uretrite não - especificada (UNE), também denominada uretrite não-gonocócica. Trata-se de uma inflamação da uretra, o canal por onde passam o sêmen e a urina. Considera-se a doença não-especificada porque vários germes podem ser responsáveis pela UNE, porém em mais de 50% dos casos encontra-se presente um organismo denominado clamídia. A infecção manifesta-se uma ou duas semanas depois do contato sexual. Os sintomas são dor na uretra, necessidade constante de urinar e secreção através do pênis.

Antibióticos : Pode-se utilizar um grande número de antibióticos para o tratamento da UNE. O mais comum é a tetraciclina. Os comprimidos são tomados por uma semana e durante esse período devem-se evitar bebidas alcoólicas. Também é importante que não haja contatos sexuais e que as últimas parceiras sejam imediatamente avisadas, para que também façam um check-up.

Depois de uma semana de tratamento, em geral, é feito um exame para verificar se a doença venérea não está mais presente. Esses testes se repetem de tempos em tempos para o paciente ter certeza de que a infecção está curada. No entanto, se a doença não for tratada, o vírus ou a bactéria poderá invadir outros órgãos, como bexiga, próstata e testículos.

Nas mulheres são comuns as infecções genitais que atacam o colo do útero. Oito em cada dez mulheres que têm relações sexuais com parceiro contaminado por UNE desenvolvem infecções na cérvix, sem apresentar sintomas. Ocasionalmente leves sinais, como um tênue corrimento vaginal, levam a mulher a fazer um exame e constatar que tem uma doença venérea. Neste estágio, também é importante avisar os últimos parceiros sexuais da ocorrência da doença.

Se não for diagnosticada num exame ginecológico, a infecção acabará se revelando sozinha. No entanto, às vezes, pode permanecer ignorada durante anos, transformando-se numa doença pélvica inflamatória (DPI), podendo atingir a cérvix.

Doença pélvica inflamatória : Um caso de DPI costuma ser diagnosticada pela ocorrência de dores intensas na região inferior do abdome e, às vezes, de febre. O tratamento é feito com antibióticos de amplo espectro e com outros medicamentos capazes de matar as bactérias anaeróbicas que costumam estar presentes.

Apenas um décimo das mulheres têm as trompas afetadas por uma infecção por clamídia. Porém, depois de três infecções, cerca de 75% das pacientes ficam com as trompas alteradas. Muitas mulheres só descobrem que estão com uma infecção quando não conseguem engravidar e fazem exames e testes de fertilidade. As trompas poderão estar tão danificadas que só será possível uma gravidez in vitro, isto é, a geração de um bebê de proveta.

Herpes genital : O herpes pode passar da boca para a região genital, através do sexo oral. Quando um adulto está infectado pelo herpes tipo 1, ou simples, há boas chances dos sintomas permanecerem ocultos. O primeiro sinal de infecção genital por herpes se manifesta no decorrer de sete dias depois da transmissão. O homem apresenta coceira ao longo do pênis ou do ânus. O mesmo acontece ao redor da vulva da mulher.

Também se apresenta sintomas parecidos com os da gripe, como dores de cabeça, dores nas costas ou febre. Rapidamente, pequenas e dolorosas bolinhas vermelhas aparecem nos locais em que a coceira se manifestou. No dia seguinte as bolinhas estarão transformadas em pequenas vesículas; no outro, as vesículas se rompem e formam pequenas úlceras vermelhas que, em geral, criam uma crosta e cicatrizam em sete dias ou pouco mais. A área permanece infeccionada até uma semana depois das úlceras terem desaparecido. Durante esse tempo, o vírus pode ser transmitido na relação sexual ou pelo contato da pele com a região afetada.

Um médico, ou uma clínica especializada, deve ser procurado à primeira suspeita de infecção por herpes. O diagnóstico é feito através de um exame simples e o resultado sai em 24 horas.

O herpes não tem cura, mas há medicamentos que diminuem a dor das úlceras e remédios que tratam com eficiência os primeiros sinais. É muito importante verificar se existe herpes ou não, porque assim os parceiros poderão desfrutar do sexo oral sem uso de camisinha e sem riscos.

É também importante uma gestante saber, no caso do aparecimento de algum prurido, se está com herpes ou não. se estiver, isso não afetará a gravidez, mas sim a escolha do tipo do parto. Mesmo que a futura mamãe tenha um ataque de herpes, esse vírus não ameaça a saúde do feto. Mas, se as pequenas úlceras estiverem presentes no momento do parto, poderão prejudicar muito o bebê.

Um outro problema para as mulheres é que o herpes genital pode conduzir ao câncer de útero. Essa preocupação pode ser afastada se a mulher fizer o teste de Papanicolaou regularmente. Nele, um pedacinho do tecido uterino é coletado e examinado, possibilitando detectar o estágio pré-cancerígeno e dar início ao tratamento adequado. É recomendável que as mulheres com herpes não deixem de fazer.

Embora o herpes possa ser muito doloroso, é possível ignorar o problema e manter relações sexuais. No entanto, essa é uma atitude de desrespeito aos parceiros sexuais que sempre devem ser avisados do risco de contrair uma infecção.

Verrugas genitais : As verrugas genitais, ou condilomas, são como as de qualquer outra parte do corpo, porém são transmitidas sexualmente, manifestando-se na região genital ou no redor do ânus. As lesões cervicais são mais comuns do que as verrugas, mas não podem ser vistas a olho nu e não apresentam sintomas.

Depois do contágio, as verrugas genitais leva, de três semanas a oito meses para se manifestar. Nas mulheres, as verrugas vaginais são tratadas com cauterização elétrica com anestesia, crioterapia (aplicações de gelo-seco) ou por raios laser. Mesmo depois de um tratamento completo, é preciso continuar observando, pois a verruga pode reaparecer.

Resumo

É possível contrair uma doença venérea em contato com assentos de vasos sanitários ou toalhas? : Como os organismos que causam as DSTs vivem nas áreas quentes e úmidas do corpo, não costumam sobreviver em assentos de vasos sanitários e toalhas. Mas o piolho do púbis (conhecido com chato) morre 24 horas após separar-se do corpo hospedeiro e seus ovos vivem por cerca de seis dias, podendo contaminar os banheiros.

O que são verrugas genitais e como se deve tratá-las? : São verrugas comuns que nascem nos genitais do homem e da mulher - pênis, ânus, vagina e cérvix. São causados por um vírus e pode-se pegá-lo durante a relação sexual. É importante tratar das verrugas genitais porque supõe-se que o vírus que as provoca tem relação com o desenvolvimento do câncer da cérvix. Cauterização elétrica com anestesia, crioterapia (aplicação de gelo-seco) ou raio laser são tratamentos empregados para eliminar as verrugas genitais.

Como uma mulher descobre que tem clamídia e por que a doença pode se tornar séria se não for tratada rapidamente? : Pode acontecer de uma mulher ter uma infecção causada por clamídia, mas não saber disso porque os sintomas não se apresentam. Às vezes ocorre um leve corrimento que é um sinal da infecção na cérvix. Quando a doença já atingiu a região pélvica, a mulher sente fortes dores na área uterina.

Se há qualquer suspeita de uma infecção por clamídia, vinda de um parceiro com uretrite não-especificada, por exemplo, é aconselhável consultar o médico ou ir a uma clínica especializada.

A clamídia pode ser diagnosticada em exames ginecológicos e tratada, caso contrário pode causar esterilidade. As infecções genitais que atacam a região pélvica da mulher podem permanecer ignoradas durante anos e só serem detectadas depois de ter atingido outros órgãos de seu aparelho reprodutor. Apesar de poucas mulheres sofrerem de infecção nas trompas, causada pela clamídia, 75% delas podem ter as trompas alteradas ou danificadas, depois de três reincidência da doença.


AIDS

A cada dia a AIDS faz mais vítimas no mundo inteiro e seus terríveis efeitos atingem a todos nós. Estudos recentes revelam como a síndrome se instala e quais as formas de fazer amor com segurança.

Casos de AIDS se multiplicam a cada dia e a doença já não se limita aos grupos de riscos, isto é, homossexuais, prostitutas e dependentes de drogas injetáveis.

Segundo estatísticas mundiais concluídas em 1995, existem 5 milhões de mulheres, 8 milhões de homens e 1,1 milhão de crianças infectadas pelo vírus HIV. Destes, cerca da metade desenvolveram a doença, dos quais 2,5 milhões morreram.

O aumento de casos ocorre mais nos países subdesenvolvidos, onde os governos não adotam políticas sociais de controle da AIDS, não incentivam o uso de preservativos e restringem investimentos para pesquisas. Assim, qualquer perspectiva sobre o controle do número de casos de AIDS tende a ser pessimista.

A sigla AIDS vem do inglês e quer dizer Acquired Immuno-deficiency Syndrome. Em português, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O vírus considerado agente da AIDS é o HTLV-III - conhecido como HIV -, isolado em meados da década de 80. Ele penetra no corpo através do contato com o sangue infectado ou com outros fluídos corporais, especialmente o sêmen. Logo depois de contrair o vírus, algumas pessoas apresentam sintomas semelhantes aos de uma gripe forte. Já em outras, os sinais não são tão suaves ou imediatos e só aparecem vários anos depois da contaminação.

Diminuição dos anticorpos : O vírus ataca as células T-4, ou seja, os microorganismos encarregados da defesa do corpo. Estas células "alertam" outras para que enviem anticorpos, mas essa defesa não é capaz de "matar" o vírus, que invade as células T-4, causando queda brutal de resistência física e tornando o corpo vulnerável a várias doenças infecciosas graves. Além disso, o vírus engana as células de defesa e consegue se incorporar ao núcleo dessas células.

O vírus HIV pode permanecer "adormecido" durante vários anos antes de "dar a ordem" para que as células T produzam mais vírus, os quais se espalham rapidamente por todos os sistemas do organismo. Com a destruição das células T, poucos glóbulos brancos, os leucócitos, tem condições de produzir anticorpos. Isso torna a pessoa infectada vulnerável a doenças terríveis, tais como infecção pulmonar, tuberculose e vários tipos de câncer.

Como a AIDS se espalha? : O vírus HIV é frágil e não pode ser transmitido facilmente. Embora a doença tenha mudado os padrões de comportamento sexual, tornando a escolha dos parceiros mais criteriosa, a AIDS não impede que os casais hetero ou homossexuais tenham uma vida sexual regular e prazerosa. Além do uso da camisinha - que tem sido a forma mais popular de combater o vírus, há vários jeitos de fazer amor que não incluem a penetração vaginal ou anal. Por exemplo, a masturbação a dois, sem o contato com o sêmen. Além disso, as carícias, tão importantes para selar a intimidade do casal, podem ser praticadas sem qualquer risco.

O beijo também não oferece nenhum perigo. Alguns cientistas já detectaram o vírus na saliva, mas em quantidade muito pequena, incapaz de contaminar, a até hoje não foi registrado nenhum caso de AIDS contraída através do beijo. O HIV não sobrevive por muito tempo fora do corpo e uma gota de qualquer detergente comum pode matá-lo. Mas, depois de contaminar uma pessoa, é impossível destruí-lo. O modo mais comum de contraí-lo é através do contato direto do sêmen infectado com o sangue.

A princípio, a AIDS foi considerada uma doença tipicamente homossexual, porque o vírus tem mais chances de ser transmitido durante o sexo anal, sem o uso de preservativos. Isso ocorre porque a pele que reveste o canal do ânus é muito delicada e pode sofrer pequenas rupturas e sangramentos, fazendo com que o sêmen atinja a corrente sangüínea. O vírus também é transmitido por outros fluídos corporais e secreções vaginais.

Hoje, os homossexuais são o grupo mais consciente dos riscos e formas de proteção. Porém, muitos heterossexuais são contaminados por manterem relações com dependentes de drogas injetáveis. A mesma seringa serve para aplicar a droga em várias pessoas.

Drogas Injetáveis : A mínima gota de sangue infectado, que não possa ser vista a olho nu, deixada em uma agulha usada para injetar cocaína ou heroína, é suficiente para transmitir a AIDS. Para impedir que a doença se alastre dessa maneira, alguns países incentivam a troca constante de seringas e agulhas usadas pelos viciados.

No começo da década de 80, antes que o mundo tivesse conhecimento da existência deste novo e letal vírus, algumas pessoas foram acidentalmente contaminadas pelo HIV em hospitais, durante transfusões de sangue infectado. Os hemofílicos foram os mais prejudicados. Atualmente, este risco já é bastante reduzido. Antes da transfusão é feito o exame nos doadores.

Até agora, no Ocidente, a AIDS epidêmica tem afetado mais os homens homossexuais. No entanto, os heterossexuais são agora considerados mais expostos à contaminação, já que muitos não têm controle da vida sexual dos parceiros e as mulheres, por razões culturais, ainda ficam constrangidas em exigir o uso de preservativos. Muitas vezes, os parceiros omitem o uso de drogas injetáveis e escondem que tiveram relações com prostitutas e homossexuais, sem tomar os devidos cuidados.

Para se ter uma idéia, em 1980, a proporção era de apenas 1 mulher aidética para cada 11 homens contaminados. Hoje, a relação é de 3 homens para 1 soropositiva e, em algumas regiões, a estimativa é de 1 para1.

Há casos em que um dos parceiros já sabe que é portador do vírus e não revela isso ao outro, que é involuntariamente contaminado. Em alguns países vigoram leis que defendem as pessoas, principalmente mulheres, que contraíram AIDS nessas condições.

Muitas pessoas são soropositivas há anos e não apresentam qualquer sintoma, mas cientistas acreditam que eventualmente todos que têm o vírus no sangue acabarão por desenvolver a AIDS. Porém, é possível que foram contaminadas há mais de dez anos, e que não manifestam os sintomas, podem até vir a morrer de doenças que nada tem a ver com AIDS, e sem sequer saber que são soropositivas.

Aquelas em que a doença se desenvolve, em geral, apresentam inchaços no pescoço, axilas e virilhas. Outros passam pelo Conselho Relacionado com AIDS (CRA), que inclui os seguintes sintomas: exaustão, diarréia, perda de peso, febre, manchas na pele. E, a seguir, se instalam doenças infecciosas graves, como a pneumonia.

Vínculo afetivo : Estudos comprovam que os aidéticos que têm apoio da família ou uma relação verdadeiramente estável e amorosa demoram mais a desenvolver os sintomas da doença, são capazes de trabalhar e viver normalmente. A solidão, a falta de vínculos afetivos e a sensação de ser discriminado pela sociedade, ao contrário, abreviam a vida do soropositivo.

Prazer garantido : Por enquanto, não existe cura para a AIDS. A natureza instável do vírus, torna muito difícil a produção de uma vacina anti-HIV. Medicamentos como o AZT e coquetéis de vários remédios têm apresentado sucesso no controle dos estágios finais da doença.

A forma mais eficiente de controlar o aparecimento de novos casos da doença é o investimento em pesquisas e a manutenção de constantes campanhas governamentais de orientação e prevenção da AIDS, que tende a continuar se alastrando, principalmente entre os homossexuais que vivem nos países subdesenvolvidos.

Porém, a intimidade e o erotismo entre os casais não diminui por causa da AIDS. Usar camisinha e adotar formas de fazer amor com segurança são suficientes para espantar o medo do vírus e para garantir relações sexuais muito prazerosas, como orgasmo intensos.

Resumo

Teste simples : Um simples exame de sangue pode mostrar se uma pessoa está infectada pelo vírus HIV. O teste revela a presença de anticorpos contra o vírus: eles não estariam ali se o agente maligno não estivesse presente. Quem obtém resultado positivo é classificado como um HIV positivo ou soropositivo. O teste deve ser feito imediatamente depois da dúvida sobre a contaminação e repetido depois de seis meses, para garantir.

Nos serviços de atendimento específicos a doença sexualmente transmissíveis e AIDS (DST), os pacientes que decidem fazer o teste respondem um questionário informativo e têm uma entrevista com um assistente social. São feitas perguntas sobre as práticas sexuais e sobre a saúde. Se a pessoa já teve alguma doença sexual, isso aumenta os riscos de contágio. Por exemplo, quem já teve sífilis tem 18 vezes mais chances de contrair a AIDS do que uma pessoa que não teve esse mal, também transmitido pelo contato sexual. O resultado é sempre dado pessoalmente pelo médico. Em algumas clínicas ele sai no mesmo dia ou no prazo máximo de três semanas. Se o resultado for positivo, nos centros de DST oferece-se apoio e informações a fim de fazer com que a pessoa infectada consiga elaborar e aceitar a situação.

Sexo seguro : O vírus que causa a AIDS pode se encontrar nos líquidos produzidos durante a relação sexual. Por isso, lembre-se sempre dessas regras: